A primeira das quatros nobres verdades enunciadas por Buda após sua iluminação é muito simples e diz basicamente que "a vida é sofrimento". Na verdade, a palavra usada em sânscrito é "dukkha" termo que poderia ser mais bem traduzido como aquela angústia difusa que é pano de fundo habitual do nosso cotidiano. É algo menor que sofrimento, mais sutil, e que se refere àquela raspação contínua no peito que nos deixa eternamente infelizes. Se temos algo, temos medo de perder. Se não temos, sentimos falta.
Qualquer que seja a condição, esse pano de fundo nos deixa sempre descontentes. A n~]ao ser que compreendamos que a felicidade é efêmera, que tudo é impermanente e que a mudança faz parte da vida. Isto é, as três nobres verdades restantes.
"Acontece que vivemos num tempo de mudanças que se sucedem numa velocidade vertiginosa, uma época de amores líquidos e passageiros. Não sabemos como lidar com essa rapidez em que tudo nos foge das mãos, em que nada é garantido e perene e em que tudo é descartável", diz a psicóloga Sandra Taiar, do Laboratório Formativo do Ser, ligado a linha Stanley Keleman e professora do Palas Athena. Mais que isso, segundo Sandra, passamos para os nossos relacionamentos os valores de uma sociedade de consumo. "Se uma relação não é exatamente aquilo que desejamos, a gente troca, devolve. Não se investe num aprofundamento maior", ela diz. Como se fosse possível reclamar no caixa e exigir nosso tempo e dinheiro de volta, como se o afeto fosse uma mercadoria.
Também avaliamos o que somos ou temos segundo as regras de consumo. "Sempre queremos estar bem na fita. Damos muita importância ao que a sociedade julga como válido, importante ou conveniente, sem pensar em nossa profundidade e em nossos verdadeiros valores", diz Sandra.
O tempo ficou exíguo para a gente se perguntar o que vale a pena ou não.
"A qualidade do tempo influi na qualidade de nossas escolhas", afirma a psicóloga. Em vez de reclamar e trocar constantemente, uma boa idéia seria nos ouvirmos com verdade e atenção.
" sociedade de consumo, a mídia, os sites de relacionamento levam nossa atenção constantemente para fora. Há pouco tempo disponível para nos levar para dentro", acredita. Tem um momento, portanto, em que é preciso saber desligar a televisão e não acompanhar a próxima novela. Ou dar um tempo no Facebook. Ou fazer uma terapia. Somos uma potência de vida que precisa se manifestar plenamente de corpo e alma. É saudável e desejável, portanto, abrir espaço para ela.
Texto da revista Vida Simples
RHEBECKA SOUZA
Somos seres com alma de borboleta, plena de beleza e harmonia, habitando num corpo onde as emoções e desejos, numa espécie de casulo nos aprisionam nos corpos físico, emocional, mental e espiritual, até que a compreensão e a consciência nos eleve ao que somos verdadeiramente, seres de luz.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
SEMENTES DO AMANHÃ
" Sábio é o homem que confia em suas sementes, porque, ainda que os solos sejam desfavoráveis, elas continuam trazendo dentro de si a potencialidade da criação.
Tolos são os que acreditam nos solos e não nas sementes, porque ainda que aqueles sejam favoráveis e propícios, se acaso estas não forem boas, jamais germinarão.
A história do homem é o crescimento e a germinação das boas qualidades, que nada mais são que seus verdadeiros pendores espirituais. Nós não acreditamos em solos favoráveis, mas em nossas sementes. O que realmente importa são as qualidades de cada uma delas. Sementes criarão plantas, e boas plantas serão as responsáveis por boas colheitas.
Vocês sabem como se formam os desertos?
Desertos são formados por falta de escrúpulos, quando as pessoas querem colher sem a responsabilidade da manutenção de tudo de bom que lá existe. Assim, arrancam-se as raízes, nada mais nasce, o solo enfraquece e nada poderá ser feito.
Sabemos, portanto, da boa qualidade de nossas sementes, e é só isso que importa e que poderia limitar nossa atuação. Nossas sementes, vocês, devem se cuidar porque cabe a nós, apenas a nós, a responsabilidade de oferecer-lhes solos adequados, e assim o faremos.
Onde há amor, haverá bons solos.
Onde há espíritos mansos, haverá bons solos.
Onde há perdão, haverá bons solos.
Cuidem de sua mente consciente, mantendo-se ocupados em criar, manter, cultivar bons pensamentos, pois este é o único canteiro de sua inteira responsabilidade. Os solos externos, os das oportunidades que a vida oferece às pessoas, são nossos. Cabe a vocês cultivar essas pequenas e preciosas sementes da esperança nos jardins de suas mentes, para que possamos colocá-los no mundo.
Os solos da vida estão ávidos por esperança, por amor e por boas palavras.
Curandeiros são aqueles que têm o poder de curar os corações daqueles que criaram desertos em suas vidas, única e exclusivamente por falta de fé.
Eu, seu pai e Mestre na luz de Jesus, acredito em vocês.
SANANDA"
Texto do livro Os Filhos de Órion - Maria Silvia P. Orlovas - Madras
Tolos são os que acreditam nos solos e não nas sementes, porque ainda que aqueles sejam favoráveis e propícios, se acaso estas não forem boas, jamais germinarão.
A história do homem é o crescimento e a germinação das boas qualidades, que nada mais são que seus verdadeiros pendores espirituais. Nós não acreditamos em solos favoráveis, mas em nossas sementes. O que realmente importa são as qualidades de cada uma delas. Sementes criarão plantas, e boas plantas serão as responsáveis por boas colheitas.
Vocês sabem como se formam os desertos?
Desertos são formados por falta de escrúpulos, quando as pessoas querem colher sem a responsabilidade da manutenção de tudo de bom que lá existe. Assim, arrancam-se as raízes, nada mais nasce, o solo enfraquece e nada poderá ser feito.
Sabemos, portanto, da boa qualidade de nossas sementes, e é só isso que importa e que poderia limitar nossa atuação. Nossas sementes, vocês, devem se cuidar porque cabe a nós, apenas a nós, a responsabilidade de oferecer-lhes solos adequados, e assim o faremos.
Onde há amor, haverá bons solos.
Onde há espíritos mansos, haverá bons solos.
Onde há perdão, haverá bons solos.
Cuidem de sua mente consciente, mantendo-se ocupados em criar, manter, cultivar bons pensamentos, pois este é o único canteiro de sua inteira responsabilidade. Os solos externos, os das oportunidades que a vida oferece às pessoas, são nossos. Cabe a vocês cultivar essas pequenas e preciosas sementes da esperança nos jardins de suas mentes, para que possamos colocá-los no mundo.
Os solos da vida estão ávidos por esperança, por amor e por boas palavras.
Curandeiros são aqueles que têm o poder de curar os corações daqueles que criaram desertos em suas vidas, única e exclusivamente por falta de fé.
Eu, seu pai e Mestre na luz de Jesus, acredito em vocês.
SANANDA"
Texto do livro Os Filhos de Órion - Maria Silvia P. Orlovas - Madras
sábado, 22 de setembro de 2012
GENEROSIDADE
" A verdadeira generosidade exige uma percepção lúcida da vida. E essa lucidez representa a compreensão de que há uma Fonte de Tudo. Essa fonte tem uma vontade distinta daquela que é nossa, mas não nos é totalmente estranha porque fazemos parte dela.
Ao contrário da lucidez, a ilusão está associada meramente à vontade pessoal. Claro que é difícil para nós não capitular diante dessa vontade pessoal, porque seu epicentro está em nós mesmos. Abraão sabe que o único antídoto legítimo à vontade pessoal é o reconhecimento de uma outra Vontade que nos alimenta e dá abrigo. É essa Vontade, e não a vontade, que nos garante a hospedagem.
Para perceber isso, porém, é necessário estar em movimento na vida. É preciso estar indo para uma terra prometida, porque o sedentário só distingue a vontade pessoal. E se for assim, então uma caneca de vinho custa tanto e um pedaço de pão outro tanto. Tudo passa a ter um valor sedentário muito distinto do valor dinâmico. Um é o valor de alguém que acredita possuir e dominar, outro o valor de alguém que usa e deixa para o próximo peregrino. Mundos muitos diferentes! Abraão vem fundar a possibilidade peregrina, os valores peregrinos.
O ser humano faz de sua vida uma tentativa de sustentar as demandas de sua vontade pessoal. Pensamos então nas tendas, nos oásis que poderão saciar nossos desejos. Fantasiamos ambientes que desejamos adentrar, hospedagens que gostaríamos de usufruir e sonhamos pertencer a este ou àquele clube ou ter determinado status. Mas batemos em portas que muitas vezes se fazem fechadas para nós e ficamos inconsoláveis. Entramos então na modalidade da insistência e obstinação. A vontade é tão real e tão sedutora, que nos faz permanecer diante das portas ou impossibilidades, obcecados pelas possíveis recompensas que estão do outro lado. O que Abraão descobre, seu ovo de Colombo,é o que revela uma bela máxima sufi: "Minha vida toda fiquei batendo na porta esperando que abrissem sem saber que eu estava batendo pelo lado de dentro."
Esta é a razão de ter sua tenda aberta a todos os lados.
Abraão sabe que batemos pelo lado de dentro - de dentro da vida. Nenhum de nós está excluido, seja qual for nossa condição: estar de fora sem conseguir entrar.
Abrir sua tenda não é uma atitude moral, um escambo com a vida para através de solidariedade prover no futuro uma carência que hoje existe em abundância. A bondade não é um pecúlio para os dias de inverno. Mas é, ao contrário, a descoberta de que batemos na porta de dentro. Isso significa que nós mesmos somos a abundância, fazemos parte da diversidade sem nunca deixar de ser parte do Todo.
E com esta visão, de quem está dentro e não de quem tem que adentrar, abrimos não apenas nossas tendas.
Abrimos a tenda maior, que é nosso coração. Essa tenda que abriga tanto nossa identidade como nossa paixão não tem que ficar fechada.
É verdade que as portas, tal como as epidermes, protegem a diversidade. Blindam nossa individualidade e parecem itens indispensáveis à sobrevivência. No entanto, a diversidade que não se reconhece como parte de algo maior ficará encerrada onde, na verdade, não há qualquer porta ou parede. Assim, o indivíduo será um prisioneiro de sua visão de mundo e fará de sua pele uma couraça que enclausura. Setenciado ao isolamento sob a ilusão de que está protegido. Melhor a viagem que nos faz vulnerável do que a segurança que nos rouba o caminho. Melhor enfrentar a vertigem do horizonte e usufruir da liberdade do que inventar portas reconfortantes que nos fazem cativos e solitários."
Texto do livro Tirando os Sapatos - pag 98 a 101 - Ed. Rocco
Autor Nilton Bonder
Ao contrário da lucidez, a ilusão está associada meramente à vontade pessoal. Claro que é difícil para nós não capitular diante dessa vontade pessoal, porque seu epicentro está em nós mesmos. Abraão sabe que o único antídoto legítimo à vontade pessoal é o reconhecimento de uma outra Vontade que nos alimenta e dá abrigo. É essa Vontade, e não a vontade, que nos garante a hospedagem.
Para perceber isso, porém, é necessário estar em movimento na vida. É preciso estar indo para uma terra prometida, porque o sedentário só distingue a vontade pessoal. E se for assim, então uma caneca de vinho custa tanto e um pedaço de pão outro tanto. Tudo passa a ter um valor sedentário muito distinto do valor dinâmico. Um é o valor de alguém que acredita possuir e dominar, outro o valor de alguém que usa e deixa para o próximo peregrino. Mundos muitos diferentes! Abraão vem fundar a possibilidade peregrina, os valores peregrinos.
O ser humano faz de sua vida uma tentativa de sustentar as demandas de sua vontade pessoal. Pensamos então nas tendas, nos oásis que poderão saciar nossos desejos. Fantasiamos ambientes que desejamos adentrar, hospedagens que gostaríamos de usufruir e sonhamos pertencer a este ou àquele clube ou ter determinado status. Mas batemos em portas que muitas vezes se fazem fechadas para nós e ficamos inconsoláveis. Entramos então na modalidade da insistência e obstinação. A vontade é tão real e tão sedutora, que nos faz permanecer diante das portas ou impossibilidades, obcecados pelas possíveis recompensas que estão do outro lado. O que Abraão descobre, seu ovo de Colombo,é o que revela uma bela máxima sufi: "Minha vida toda fiquei batendo na porta esperando que abrissem sem saber que eu estava batendo pelo lado de dentro."
Esta é a razão de ter sua tenda aberta a todos os lados.
Abraão sabe que batemos pelo lado de dentro - de dentro da vida. Nenhum de nós está excluido, seja qual for nossa condição: estar de fora sem conseguir entrar.
Abrir sua tenda não é uma atitude moral, um escambo com a vida para através de solidariedade prover no futuro uma carência que hoje existe em abundância. A bondade não é um pecúlio para os dias de inverno. Mas é, ao contrário, a descoberta de que batemos na porta de dentro. Isso significa que nós mesmos somos a abundância, fazemos parte da diversidade sem nunca deixar de ser parte do Todo.
E com esta visão, de quem está dentro e não de quem tem que adentrar, abrimos não apenas nossas tendas.
Abrimos a tenda maior, que é nosso coração. Essa tenda que abriga tanto nossa identidade como nossa paixão não tem que ficar fechada.
É verdade que as portas, tal como as epidermes, protegem a diversidade. Blindam nossa individualidade e parecem itens indispensáveis à sobrevivência. No entanto, a diversidade que não se reconhece como parte de algo maior ficará encerrada onde, na verdade, não há qualquer porta ou parede. Assim, o indivíduo será um prisioneiro de sua visão de mundo e fará de sua pele uma couraça que enclausura. Setenciado ao isolamento sob a ilusão de que está protegido. Melhor a viagem que nos faz vulnerável do que a segurança que nos rouba o caminho. Melhor enfrentar a vertigem do horizonte e usufruir da liberdade do que inventar portas reconfortantes que nos fazem cativos e solitários."
Texto do livro Tirando os Sapatos - pag 98 a 101 - Ed. Rocco
Autor Nilton Bonder
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