Eternas dualidades: desejo de amar, medo de sofrer, desejo de confiar, medo da decepção... assim somos nós seres vivendo numa balança sem encontrar o ponto de equilíbrio.
Como cheguei a essa compreensão? aquietando a mente, assumindo a postura do EU Observador, presente com todos os sentidos, principalmente "ouvindo" os sons do mundo que acaba por reverberá nas minhas emoções e sentimentos assim como no meu trabalho atendendo pessoas o que contribui para o não julgamento.
A dualidade do morrer e viver ficou claro quando em visita a uma senhora muito doente parente de uma amiga, comecei a perceber o quão forte essa dualidade "está" presente em vários níveis da humanidade.
A cada visita presto atenção a sua necessidade de falar, (ou desabafar?) do que achava o que era viver e que no entanto foi "morrendo" aos poucos; da escolha do seu amor que sentia ser eterno mais que por medo de ir contra a ´família aceitou casar com outra pessoa, no entanto nunca esqueceu o antigo amor, o que resultou em mágoas, ressentimentos que foram ficando guardados até porque havia uma familia para cuidar, o "sacrificio" em favor dos filhos, a abdicação dos seus sonhos foram ficando confinados no seu corpo que acabou se transformando em doenças.
No inconsciente coletivo o "morrer" sempre fizeram parte das nossas expressões: "estou morta de raiva, estou morto de fome, estou morto de sede, viver dessa maneira é melhor morrer, quando eu estava com fulano eu não vivia, vegetava..." afirmações que vão sendo plasmadas nosso mental daí agindo no nosso corpo emocional aumentando cada vez o círculo de dor e sofrimento.
Como estabelecermos o nosso "viver" agora com consciência e responsabilidade, cuidando do espírito "deixaremos" a encarnação sem tanta dor e sofrimento.
Vou continuar as visitas porque o aprendizado é mutuo.
O despertar da consciência pode nos chegar num "clique" basta estarmos com os sentidos ampliados.
Tenho medo de morrer mais não é algo que vou lidar agora. Por enquanto é pensar em viver.
RHEBECKA SOUZA
Somos seres com alma de borboleta, plena de beleza e harmonia, habitando num corpo onde as emoções e desejos, numa espécie de casulo nos aprisionam nos corpos físico, emocional, mental e espiritual, até que a compreensão e a consciência nos eleve ao que somos verdadeiramente, seres de luz.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
AS ORIGENS
" Por que somos feitos assim, por que não o sabemos e por que, quando ficamos sabendo, temos tanta dificuldade para aceitar o fato? Afinal, não é tão extraordinário ter as costas fortes, mais fortes do que a barriga. Percebe-se que a natureza tem grande consideração pelas costas. A maioria das espécies, os animais de penas, pêlos ou escamas, ostenta enfeites e cores na face dorsal. Um gato ou uma joaninha trazem nas costas todo o colorido que lhes falta à barriga. Mesmo se a cor for discreta, nas costas será mais intensa; e a barriga, quando à mostra parece desbotada, fraca e nua. Aliás, os animais não gostam de mostrar a barriga e só o fazem em situações de perigo ou submissão. Guardam para si a intimidade vulnerável da própria barriga.
Já nós, que ficamos sobre dois pés e que temos agora a face dorsal atrás de nós, mostramos espontaneamente a face ventral, que se tornou face anterior. Mas nem por isso as coisas mudaram. Se não temos desenhos brilhantes na pele das costas, temos, porém, sob a pele toda a força. Ela não mudou de lugar quando mudamos de posição. Nossa condição de bipede não modificou nada na distribuição dos músculos. Nos pormenores, sim; mas, nada, nos aspectos principais.
Continuamos com essa testemunha de tempos imemoriais agarrada às costas. Com ela,conseguimos nos desapegar das águas primitivas, a seguir, da lama, das reptações. Fizemos muito esforço para nos erguermos sobre os dois pés. E conseguimos.
E, agora, o que fazer com esta tara que ficou agarrada atrás de nós? Negá-la. É o que fazemos. Apaixonadamente. Com o mesmo afinco com que outrora se negava a hipótese de nossa origem animal.
O passado nos puxa para trás e, com as costas petrificadas, fossilizadas, dá até a impressão de que tememos cair para esse lado. É difícil ser novo-rico, e relutamos em aceitar a fabulosa herança. Os antepassados que a deixaram para nós - répteis de outra era - estão no entanto presentes em nossa memória muscular. Assim como, de modo mais confuso, em nossos miolos. Para que servem todos os monstros da ficção científica, os monstros cinematográficos que reavivamos, a não ser para exorcizar a memória?
As escamas tornaram-se carapaça, pêlos, pele; as barbatanas tornaram-se patas, estreitas ou largas, compridas ou curtas, palmadas ou não não, de acordo com as necessidades do terreno. Rabos, chifres: as excrescências mais extravagantes apareceram, desapareceram. O crânio, os maxilares, os dentes, tudo se transformou. Apareceram os pulmões e as mamas dos mamíferos.
Mas, no meio de todas as metamorfoses, a coluna vertebral persiste. A natureza, que dispõe de imensa capacidade inventiva, produziu de uma vez por todas sua obra-prima e quase não precisa retocá-la. Por isso, temos hoje - de costas - uma semelhança que não engana. Por mais que tentemos reverter a realidade e, ao invés de aceitar a robustez ancestral, continuamos a imaginar que agora somos fracos, temos mesmo de carregá-la às costas.
A prova? Não conseguimos mover nossa coluna a não ser como se ainda estivéssemos na era das reptações.Discretamente, é verdade, mas com certeza. Nossa musculatura dorsal tem ceto parentesco com a das serpentes, destas que existem hoje. As curvas sucessivas que fazem com o corpo, também nós as fazemos. A serpente começa inclinando a cabeça, e todo o resto acompanha. Sua coluna vertebral logo faz três ou quatro curvas sucessivas da cabeça á cauda. No lado côncavo de cada uma das curvas, os músculos da serpente se contraem. Desse modo, a coluna do réptil em movimento não passa de uma sucessão rápida de contrações que se desfazem e logo se recompõem.
Os répteis, atletas no seu gênero, só possuem a musculatura que tem nas costas. Nem pés nem patas, e nada na barriga. A musculatura ventral não existe. Apenas escamas ventrais, para apoio. A força, a rapidez diabólica, a imobilidade e a misteriosa agilidade lhes vêm das costas. Só das costas.
O que temos a ver com isso? Os répteis podem nos ajudar a compreender melhor certos mecanismos de nossos movimentos, porque nos oferecem uma espécie de arremedo do que fazemos com nossos músculos. É verdade que temos uma musculatura ventral - anterior; mas, de acordo com um programa original que não está prestes a desaparecer, é a musculatura dorsal que faz o trabalho pesado.
Se inclinamos a cabeça, o movimento se propaga até o fim da coluna e, depois dela, até a extremidade dos dedos dos pés. A pessoa pensa que está só inclinando a cabeça para o lado direito, por exemplo. Mas, ao inclinar, contrai (e encurta) o lado direito da nuca, o lado esquerdo do dorso, o lado direito da região lombar e o lado esquerdo da perna. Quanto mais tensos estiverem os músculos, mais evidentes serão essas compensações. Se as contrações musculares persistem no lado côncavo de nossas curvaturas, acabam formando um S, como no caso da escoliose.
A contração para a serpente é vida. Serpente flácida é serpente morta. Não somos serpentes, apesar das inquietantes semelhanças na organização muscular, e não corremos risco de vida ao perder nossa rigidez. Mas, "nunca se sabe..." parecem dizer dentro de nós velhos temores".
Thérése Bertherat - Livro a Toca do Tigre
Já nós, que ficamos sobre dois pés e que temos agora a face dorsal atrás de nós, mostramos espontaneamente a face ventral, que se tornou face anterior. Mas nem por isso as coisas mudaram. Se não temos desenhos brilhantes na pele das costas, temos, porém, sob a pele toda a força. Ela não mudou de lugar quando mudamos de posição. Nossa condição de bipede não modificou nada na distribuição dos músculos. Nos pormenores, sim; mas, nada, nos aspectos principais.
Continuamos com essa testemunha de tempos imemoriais agarrada às costas. Com ela,conseguimos nos desapegar das águas primitivas, a seguir, da lama, das reptações. Fizemos muito esforço para nos erguermos sobre os dois pés. E conseguimos.
E, agora, o que fazer com esta tara que ficou agarrada atrás de nós? Negá-la. É o que fazemos. Apaixonadamente. Com o mesmo afinco com que outrora se negava a hipótese de nossa origem animal.
O passado nos puxa para trás e, com as costas petrificadas, fossilizadas, dá até a impressão de que tememos cair para esse lado. É difícil ser novo-rico, e relutamos em aceitar a fabulosa herança. Os antepassados que a deixaram para nós - répteis de outra era - estão no entanto presentes em nossa memória muscular. Assim como, de modo mais confuso, em nossos miolos. Para que servem todos os monstros da ficção científica, os monstros cinematográficos que reavivamos, a não ser para exorcizar a memória?
As escamas tornaram-se carapaça, pêlos, pele; as barbatanas tornaram-se patas, estreitas ou largas, compridas ou curtas, palmadas ou não não, de acordo com as necessidades do terreno. Rabos, chifres: as excrescências mais extravagantes apareceram, desapareceram. O crânio, os maxilares, os dentes, tudo se transformou. Apareceram os pulmões e as mamas dos mamíferos.
Mas, no meio de todas as metamorfoses, a coluna vertebral persiste. A natureza, que dispõe de imensa capacidade inventiva, produziu de uma vez por todas sua obra-prima e quase não precisa retocá-la. Por isso, temos hoje - de costas - uma semelhança que não engana. Por mais que tentemos reverter a realidade e, ao invés de aceitar a robustez ancestral, continuamos a imaginar que agora somos fracos, temos mesmo de carregá-la às costas.
A prova? Não conseguimos mover nossa coluna a não ser como se ainda estivéssemos na era das reptações.Discretamente, é verdade, mas com certeza. Nossa musculatura dorsal tem ceto parentesco com a das serpentes, destas que existem hoje. As curvas sucessivas que fazem com o corpo, também nós as fazemos. A serpente começa inclinando a cabeça, e todo o resto acompanha. Sua coluna vertebral logo faz três ou quatro curvas sucessivas da cabeça á cauda. No lado côncavo de cada uma das curvas, os músculos da serpente se contraem. Desse modo, a coluna do réptil em movimento não passa de uma sucessão rápida de contrações que se desfazem e logo se recompõem.
Os répteis, atletas no seu gênero, só possuem a musculatura que tem nas costas. Nem pés nem patas, e nada na barriga. A musculatura ventral não existe. Apenas escamas ventrais, para apoio. A força, a rapidez diabólica, a imobilidade e a misteriosa agilidade lhes vêm das costas. Só das costas.
O que temos a ver com isso? Os répteis podem nos ajudar a compreender melhor certos mecanismos de nossos movimentos, porque nos oferecem uma espécie de arremedo do que fazemos com nossos músculos. É verdade que temos uma musculatura ventral - anterior; mas, de acordo com um programa original que não está prestes a desaparecer, é a musculatura dorsal que faz o trabalho pesado.
Se inclinamos a cabeça, o movimento se propaga até o fim da coluna e, depois dela, até a extremidade dos dedos dos pés. A pessoa pensa que está só inclinando a cabeça para o lado direito, por exemplo. Mas, ao inclinar, contrai (e encurta) o lado direito da nuca, o lado esquerdo do dorso, o lado direito da região lombar e o lado esquerdo da perna. Quanto mais tensos estiverem os músculos, mais evidentes serão essas compensações. Se as contrações musculares persistem no lado côncavo de nossas curvaturas, acabam formando um S, como no caso da escoliose.
A contração para a serpente é vida. Serpente flácida é serpente morta. Não somos serpentes, apesar das inquietantes semelhanças na organização muscular, e não corremos risco de vida ao perder nossa rigidez. Mas, "nunca se sabe..." parecem dizer dentro de nós velhos temores".
Thérése Bertherat - Livro a Toca do Tigre
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
PRECE DE GANDHI
"Creio em mim mesmo; creio nos que trabalham comigo; creio nos meus amigos; creio na minha família; creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos; creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que n~~ao acreditam como eu acredito; creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende de sorte, de magia, de amigos, companheiros duvidosos ou do meu chefe; creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar.
E assim sendo, serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo.
Não caluniarei aqueles que não gosto; não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem; prestarei melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz.
Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que as vezes ofendo os outros e necessito de perdão"
E assim sendo, serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo.
Não caluniarei aqueles que não gosto; não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem; prestarei melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz.
Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que as vezes ofendo os outros e necessito de perdão"
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
A ORIGEM DO SOFRIMENTO
A primeira das quatros nobres verdades enunciadas por Buda após sua iluminação é muito simples e diz basicamente que "a vida é sofrimento". Na verdade, a palavra usada em sânscrito é "dukkha" termo que poderia ser mais bem traduzido como aquela angústia difusa que é pano de fundo habitual do nosso cotidiano. É algo menor que sofrimento, mais sutil, e que se refere àquela raspação contínua no peito que nos deixa eternamente infelizes. Se temos algo, temos medo de perder. Se não temos, sentimos falta.
Qualquer que seja a condição, esse pano de fundo nos deixa sempre descontentes. A n~]ao ser que compreendamos que a felicidade é efêmera, que tudo é impermanente e que a mudança faz parte da vida. Isto é, as três nobres verdades restantes.
"Acontece que vivemos num tempo de mudanças que se sucedem numa velocidade vertiginosa, uma época de amores líquidos e passageiros. Não sabemos como lidar com essa rapidez em que tudo nos foge das mãos, em que nada é garantido e perene e em que tudo é descartável", diz a psicóloga Sandra Taiar, do Laboratório Formativo do Ser, ligado a linha Stanley Keleman e professora do Palas Athena. Mais que isso, segundo Sandra, passamos para os nossos relacionamentos os valores de uma sociedade de consumo. "Se uma relação não é exatamente aquilo que desejamos, a gente troca, devolve. Não se investe num aprofundamento maior", ela diz. Como se fosse possível reclamar no caixa e exigir nosso tempo e dinheiro de volta, como se o afeto fosse uma mercadoria.
Também avaliamos o que somos ou temos segundo as regras de consumo. "Sempre queremos estar bem na fita. Damos muita importância ao que a sociedade julga como válido, importante ou conveniente, sem pensar em nossa profundidade e em nossos verdadeiros valores", diz Sandra.
O tempo ficou exíguo para a gente se perguntar o que vale a pena ou não.
"A qualidade do tempo influi na qualidade de nossas escolhas", afirma a psicóloga. Em vez de reclamar e trocar constantemente, uma boa idéia seria nos ouvirmos com verdade e atenção.
" sociedade de consumo, a mídia, os sites de relacionamento levam nossa atenção constantemente para fora. Há pouco tempo disponível para nos levar para dentro", acredita. Tem um momento, portanto, em que é preciso saber desligar a televisão e não acompanhar a próxima novela. Ou dar um tempo no Facebook. Ou fazer uma terapia. Somos uma potência de vida que precisa se manifestar plenamente de corpo e alma. É saudável e desejável, portanto, abrir espaço para ela.
Texto da revista Vida Simples
Qualquer que seja a condição, esse pano de fundo nos deixa sempre descontentes. A n~]ao ser que compreendamos que a felicidade é efêmera, que tudo é impermanente e que a mudança faz parte da vida. Isto é, as três nobres verdades restantes.
"Acontece que vivemos num tempo de mudanças que se sucedem numa velocidade vertiginosa, uma época de amores líquidos e passageiros. Não sabemos como lidar com essa rapidez em que tudo nos foge das mãos, em que nada é garantido e perene e em que tudo é descartável", diz a psicóloga Sandra Taiar, do Laboratório Formativo do Ser, ligado a linha Stanley Keleman e professora do Palas Athena. Mais que isso, segundo Sandra, passamos para os nossos relacionamentos os valores de uma sociedade de consumo. "Se uma relação não é exatamente aquilo que desejamos, a gente troca, devolve. Não se investe num aprofundamento maior", ela diz. Como se fosse possível reclamar no caixa e exigir nosso tempo e dinheiro de volta, como se o afeto fosse uma mercadoria.
Também avaliamos o que somos ou temos segundo as regras de consumo. "Sempre queremos estar bem na fita. Damos muita importância ao que a sociedade julga como válido, importante ou conveniente, sem pensar em nossa profundidade e em nossos verdadeiros valores", diz Sandra.
O tempo ficou exíguo para a gente se perguntar o que vale a pena ou não.
"A qualidade do tempo influi na qualidade de nossas escolhas", afirma a psicóloga. Em vez de reclamar e trocar constantemente, uma boa idéia seria nos ouvirmos com verdade e atenção.
" sociedade de consumo, a mídia, os sites de relacionamento levam nossa atenção constantemente para fora. Há pouco tempo disponível para nos levar para dentro", acredita. Tem um momento, portanto, em que é preciso saber desligar a televisão e não acompanhar a próxima novela. Ou dar um tempo no Facebook. Ou fazer uma terapia. Somos uma potência de vida que precisa se manifestar plenamente de corpo e alma. É saudável e desejável, portanto, abrir espaço para ela.
Texto da revista Vida Simples
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