RHEBECKA SOUZA

Somos seres com alma de borboleta, plena de beleza e harmonia, habitando num corpo onde as emoções e desejos, numa espécie de casulo nos aprisionam nos corpos físico, emocional, mental e espiritual, até que a compreensão e a consciência nos eleve ao que somos verdadeiramente, seres de luz.


sábado, 12 de janeiro de 2013

PARADORES

" Uma antiga lenda sobre Paradores fala de um sujeito perdido num deserto já a ponto de morrer de sede.
Quando estava por se desesperar, avistou um abrigo rudimentar onde havia uma antiga bomba de água.
A bomba estava em estado lastimável e o homem, mesmo com seu empenho, não conseguiu retirar uma única gota de água. Então deu com os olhos em uma garrafa escondida atrás da bomba. Nela havia um bilhete. Trazia instruções claras: "Derrame todo o conteúdo da garrafa dentro da bomba e ela funcionará. Mas deve ser toda a água; caso contrário, não irá funcionar. Feito isso,encha novamente a garrafa e deixe para o próximo viajante".
Diante da água que ele tanto desejava e que poderia saciar sua sede, o sujeito ficou num dilema. Cumprir as instruções da garrafa ou garantir sua sobrevivência? Finalmente, optou por seguir a sugestão da garrafa.
Despejou toda a água dentro da bomba, ciente de que poderia estar jogando fora sua sobrevivência e então começou a bombear. Inicialmente, a bomba começou  ranger, mas nada de água. Ele insistiu e pouco a pouco a bomba foi ganhando pressão, e um filete deu vazão a um fluxo que fez jorrar água em abundância.
O homem bebeu da água cristalina que esguichava e, depois de saciar-se, encheu a garrafa como instruído.
ABRIR MÃO DA ÁGUA TÃO DESEJADA É UM ATO DE CONFIANÇA NA VIDA
O risco de desperdiçar aquilo que é tão vital, investindo mesmo quando o consumo parece ser tão necessário, é um comportamento que exige muito de nós.
Exige uma mudança de eixo na perspectiva daquilo que está verdadeiramente em jogo. Se o viajante anterior não tivesse seguido as instruções e tivesse bebido a água, o sujeito dessa história não teria sobrevivido.
Porém, mais do que o resultado prático de suprir todas as sedes e não apenas a de um único indivíduo, o fato é que apostar na opção da corrente nos faz parceiros em todas as caminhadas. Essa é a sabedoria que nos leva a pender para a alternativa da interação - aquela que faz com que nos percebamos como parte de uma corrente - e não simplesmente seguir a alternativa da decisão individual, pela qual certamente encontraríamos justificativas para beber da garrafa e salvar nossa pele.
Todo anfitrião se torna hóspede da vida de imediato. Aquele que se ajusta à realidade dos Paradores experimenta duas bençãos simultâneas: a de ser merecedor de gentilezas e, ao mesmo tempo, a de ser generoso".
Nilton Bonder - Tirando os Sapatos

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